Para realizar sonho da mãe que não tinha notícias do irmão havia 30 anos, filha escreve carta à polícia e delegada reúne família em Jaíba

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‘Ela está com 85 anos, eu pensei que era a hora o momento de correr atrás desse sonho’, diz a filha. Durante as buscas, houve a confirmação de que o irmão de Maria já tinha falecido. Familiares estão conversando pela internet e esperam a pandemia passar para se verem pessoalmente

As duas Maria, mãe e filha. Maria Arlete escreveu carta pra delegada com objetivo de realizar o sonho da mãe — Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Uma carta enviada para a delegada de Jaíba, no interior de Minas Gerais, mudou para sempre a história de uma família. Na correspondência, Maria Arlete Ramos de Oliveira narrava que a mãe, de 85 anos, sonhava em reencontrar o irmão, Pedro, de quem não tinha notícias há mais de três décadas.

“Pesquisei na internet, liguei para as rádios, prefeituras, serviço de fornecimento de água e energia, para os cartórios… até que fiquei sabendo por uma conhecida que meu tio teria ido para a região de Jaíba. Como não consegui nenhuma informação com os telefonemas, resolvi entrar em contato com a Polícia Civil”, conta Maria Arlete, que mora em São Bernardo do Campo (SP).

Além de escrever a carta para a delegacia de Jaíba, ela também mandou a mesma correspondência para Manga (MG), por suspeitar que o tio pudesse ter ido para uma das duas cidades. Um policial da segunda cidade também fez contato com Maria para tentar ajudá-la, mas foi a delegada Bruna Garcia que conseguiu promover o reencontro da família Oliveira.

“Quando comecei a ler a carta e ver a súplica da escritora decidi que iria ajudar”, fala a delegada.

Separação

A mãe de Maria Arlete, Maria Ramos de Oliveira, morava em Jequitaí (MG) quando viu o irmão pela última vez. Pedro saiu da cidade com a esposa, Maria José dos Reis, e os filhos. Depois disso, eles nunca mais se encontraram. Atualmente, Maria mora em Várzea da Palma (MG).

Foto que a mãe de Maria guardava como recordação do irmão e a cunhada — Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

“Ela sempre falava que o sonho da vida dela era reencontrar esse irmão. Eu já tinha feito algumas buscas, mas foi em dezembro do ano passado que comecei a me empenhar mais, afinal ela está com 85 anos, eu pensei que era o momento de correr atrás desse sonho.”

A partir das informações fornecidas por Maria Arlete, a Polícia Civil identificou o endereço de Fábio Júnior dos Reis Oliveira, um dos filhos de Pedro.

“Infelizmente, descobrimos que meu tio faleceu há muitos anos e minha tia também faleceu. Minha mãe ficou triste por um lado, mas também ficou muito feliz em saber sobre os sobrinhos.”

Quando Pedro viu a irmã pela última vez ele tinha apenas dois filhos, mas depois teve outros quatro.

Reencontro

Delegada se mobilizou para reunir família após receber uma carta. Na imagem ela está com Fábio, primo de Maria que mora em Jaíba. — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Foto: Polícia Civil/Divulgação

“Quando a delegada contou a história fiquei meio sem entender, sem acreditar, porque não sabia que meu pai tinha essa irmã. Eu vi um telefone de São Paulo me ligando e fiquei com medo de atender, era um número desconhecido e a gente vê esses trotes que as pessoas passam. Depois, eu soube que era minha prima”, conta Fábio.

Ele diz que o pai nunca falou sobre a tia e, por causa do reencontro, também ficou sabendo que ainda tem mais uma tia.

“Parece história de novela. A gente jamais poderia viver uma situação dessa, vai ser uma alegria muito grande encontrar todo mundo.”

Além de falar com Fábio, Maria Arlete já teve a oportunidade de conversar com outros primos. Por enquanto, por causa da pandemia, eles se conhecem apenas virtualmente.

“Minutos depois de falar com Fábio, um irmão dele também me ligou. Logo em seguida me colocaram no grupo da família, já conversamos bastante, já falei com outros primos, de Brasília, Rio de Janeiro, Mato Grosso. É bom demais acordar e poder dar um ‘bom dia, família’. Quando a pandemia passar vamos fazer um grande reencontro.”

“Me sinto imensamente feliz por ter contribuído com esse encontro familiar. Com certeza marcada para sempre minha história como delegada, mas sobretudo como pessoa”, diz a delegada Bruna Garcia.

Fonte: G1

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