70 mil doses de CoronaVac desapareceram em MT

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A principal suspeita é que essas doses tenham “desaparecido” pelo uso de seringa incorreta para imunizar a população

Gilberto Leite | Estadão Mato Grosso

Mais de 70 mil doses de vacina CoronaVac desapareceram em Mato Grosso. É o que denuncia o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que é médico sanitarista do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem acompanhado a gestão de combate à pandemia de covid-19 no estado. A principal suspeita é que essas doses tenham “desaparecido” pelo uso de seringa incorreta para imunizar a população.

O levantamento de Lúdio foi feito com base nos dados do Ministério da Saúde, que apontam o envio de 623.360 doses do imunizante para Mato Grosso, e da Comissão Intergestora Bipartite (CIB), que apontam a aplicação de 553.210 doses, restando a diferença de 70.150.

À reportagem, o deputado explicou que a seringa recomendada é a de 1 ml, cuja marcação é separada a cada 0,1 ml. Desta forma, o enfermeiro sabe que deve preencher a seringa até a metade, quando atinge exatamente 0,5 ml. Contudo, alguns municípios estariam utilizando a seringa de 3 ml por falta da primeira. Neste caso, a marcação não é na mesma medida e o enfermeiro precisa selecionar a quantidade correta “no olho”, escolhendo o marcador mais próximo possível da dosagem correta. Com isso, estima-se que a cada vidro – que contém cinco doses – perca-se 20%, ou seja, 1 dose.

O parlamentar ressalta a gravidade do problema. Em Mato Grosso, 39 mil pessoas estão com a segunda dose da CoronaVac atrasada por falta de gestão na distribuição do imunizante e há mais de um mês o Estado não recebe novo lote da vacina. A quantidade supostamente desperdiçada é suficiente para completar a imunização destas pessoas e ainda imunizar completamente 15,6 mil outras.

Lúdio explica que aguardou exatamente um mês do último recebimento, dia 14 de maio, para fazer o levantamento, cuja consulta foi feita no dia 15 de junho. O deputado questiona se o uso de seringas erradas são o único motivo ou se há a possibilidade de os municípios também estarem com a alimentação do sistema atrasada e se o imunizante foi utilizado como 1ª dose, ignorando aqueles que já estavam na fila aguardando a 2ª aplicação para completar o processo de imunização.

O próximo passo da análise será mapear os 15 maiores municípios do estado para saber quais são os reais motivos para o desaparecimento das doses.

O caso pode ser ainda mais grave. Isso porque esse primeiro levantamento é apenas com imunizantes da CoronaVac. Lúdio ainda vai mapear a aplicação de doses das vacinas Pfizer e AstraZeneca/Oxford.

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), mas, até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

Fonte: Estadão Mato Grosso

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