Delegado revela que deputados e secretários investigados por ele ‘pediram sua cabeça’ na gestão de Silval Barbosa

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O delegado ainda disse que investigava a atual gestão quando foi retirado da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deccor)

Delegado revela que deputados e secretários investigados por ele ‘pediram sua cabeça’ na gestão de Silval Barbosa
Foto: Olhar Direto

O delegado Lindomar Aparecido Tófoli, ouvido como testemunha na Corregedoria da Polícia Civil, sobre suposto uso político da Delegacia Fazendária (Defaz), revelou nesta última quinta-feira (26) que deputados da época em que Silval Barbosa era governador, ‘pediram sua cabeça’, ao descobrirem que estavam sendo investigados por ele. Conforme o policial, isso não é exclusivo apenas da  atual gestão.

“Nós lutamos contra o sistema. Da outra vez que aconteceu isso comigo, que eu sai da delegacia, foi porque estava investigando políticos da Assembleia [Legislativa de Mato Grosso], secretários e procuradores do Estado. O delegado-geral, á época, foi pressionado para me tirar de lá”, explicou Tófoli, sem citar nomes dos políticos.

Ainda conforme o delegado, essa pressão foi confirmada pelo próprio Silval Barbosa posteriormente. “Á época, chegou na delegacia e falou que se não me tirasse, ele colocaria outra pessoa no lugar que faria o que era pedido. Naquela situação, resolvi ficar quieto. Depois comecei a me questionar, adoeci, tive que tomar medicação para ansiedade”.

“Fiquei quieto até agora, Ainda estava digerindo essa situação, estava com problema familiar, meu pai com câncer. Estou disposto a falar o que aconteceu, como é que foi. Com o tempo, você vai apanhando, adquirindo experiência, aprendendo a lidar com a situação. Ai você começa a agir com sabedoria”, acrescentou o delegado.

Tófoli lembra que a Polícia Civil é vinculada ao Governo do Estado e depende financeiramente dele, o que faz com que pressões políticos sempre aconteçam.

Pressão do governo atual

Sobre o suposto uso da Delegacia Fazendária (Defaz) para prejudicar politicamente o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), Tófoli diz que nunca recebeu um pedido específico para investigar o emedebista. “Se acontecesse, entraria por um ouvido e sairia pelo outro. As operações que aconteceram, foram com base em denúncias que chegavam”.

Lindomar é ouvido na Corregedoria como testemunha, no caso denunciado pelo prefeito da Capital. Ele chegou ao local nesta manhã munido de documentos que serão apresentados ao delegado Alcindo Rodrigues da Silva, responsável por comandar os trabalhos.

O delegado ainda disse que investigava a atual gestão quando foi retirado da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deccor).
 
“Eu estava investigando, tenho o número do inquérito, mas não posso repassar porque está em segredo de justiça. Eu estava investigando o atual governo. Provavelmente, de alguma forma, isso chegou ao conhecimento dele [governo do estado]”, explicou o delegado.
 
Tófoli ainda lembra de outro episódio que causou, no mínimo, estranheza. “Teve um pouco antes da minha saída. Fiz aquela busca, para ir atrás do documento falsificado, que o irmão da deputada Janaína Riva [José Geraldo Riva Júnior] estava usando para trabalhar no Detran. Ela é aliada do governo. O mandado foi expedido pouco antes da minha saída. Ano passado, eu estava investigando o pessoal que era aliado do governo, e claro que pressionavam o governador. O meu perfil desagrada”.
 
Para o delegado, a pressão existe principalmente porque a Polícia Civil é vinculada ao Poder Executivo e depende financeiramente dele. “Existe pressão. Lutamos contra o sistema”.

Fonte: Olhar Direto

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