Buscas por vítimas entram no 9º dia em Brumadinho; Veja vídeo do momento exato do rompimento da barragem

Tragédia foi provocada pelo rompimento de barragem da Vale no dia 25 de janeiro, em Minas Gerais. Há 248 pessoas desaparecidas e 115 mortos.

Em 02/02/2019 09:10:00 na sessão Cidades

Foto: Andre Penner/AP

Os trabalhos de busca por vítimas da tragédia de Brumadinho entram no 9º dia neste sábado (2). Trabalham no local cerca de 250 bombeiros e 22 cães farejadores. Desde esta sexta-feira (1º), quando o rompimento da barragem da Vale na Grande BH completou uma semana, a operação de resgate entrou numa nova fase e não tem data para acabar, segundo as autoridades.

A Defesa Civil de Minas Gerais informou que subiu para 115 o número de mortos. Também há 248 pessoas desaparecidas.

Números da tragédia

  • 115 mortos confirmados - 71 identificados
  • 248 desaparecidos
  • 192 resgatados
  • 395 localizados
  • 108 desalojados ou desabrigados

A barragem de rejeitos, que ficava na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, se rompeu na sexta-feira (25). O mar de lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Entre as vítimas, estão pessoas que moravam no entorno e funcionários da mineradora. A vegetação e rios foram atingidos.

Desde sábado (26), não são achados sobreviventes. Para os bombeiros, é muito pequena a possibilidade de achar alguém vivo em meio ao mar de lama. Já o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, disse em entrevista nesta sexta: "Neste momento estamos mais preocupados em resgatar vidas, e depois resgatar corpos".

Vídeos registram momento em que barragem da Vale se rompe em Brumadinho

Na entrevista coletiva para falar sobre o balanço deste oitavo dia de buscas, o tenente Aihara, porta-voz dos bombeiros, comentou os vídeos revelados nesta sexta (1º) que mostram o rompimento da barragem em Brumadinho.

Nas imagens - que foram cedidas pela mineradora às autoridades no dia seguinte à tragédia -, é possível ver o tsunami de lama, minério e rejeitos.

Um deles, mostra o instante exato em que a barragem cede.

No outro, é possível ver o mar de lama que avança rapidamente e engole veículos, máquinas e trem, encobrindo toda a mina.

"As imagens já tinham sido recebidas. A decisão de não divulgá-las foi uma decisão com embasamento técnico", justificou Aihara.

"Tinha a preocupação de provocar pânico generalizado na população, já que a barragem 6 [também na mina do Córrego do Fundão] estava sendo monitorada. As pessoas poderiam ter um movimento de evacuação generalizado."

Em nota, a Vale informa que disponibilizou as imagens às autoridades em 26 de janeiro e que não divulgou vídeos da ocorrência "para não prejudicar as investigações e, sobretudo, em respeito aos atingidos e familiares".

Ao falar sobre os trabalhos de sexta, o tenente Aihara disse: "Nenhum metro de lama deixará de ser vistoriado".

Ao comentar até quando devem durar as operações, o porta-voz dos bombeiros não deu uma previsão e comparou: "Para que se tenha uma ideia, em Mariana as buscas duraram três meses". Foi uma referência ao rompimento da barragem do Fundão, em outra cidade mineira, ocorrido em novembro de 2015. Lá, morreram 19 pessoas.

Na quinta, bombeiros civis e voluntários começaram a participar das buscas por corpos em Brumadinho. O grupo tem, pelo menos, 50 pessoas. Há bombeiros civis de diversas regiões do país, arqueólogos e engenheiros, além de bombeiros civis do México.

Equipes atuam para liberar a pista da MG-040, que está bloqueada desde o rompimento da barragem da Vale.

Bombeiros acompanham os trabalhos de perto, caso haja a necessidade de resgatar algum corpo.

Amostras de DNA

Dos 115 corpos já resgatados, 71 foram identificados. O delegado da Polícia Civil em Brumadinho, Arlen Bahia, disse que há também 19 "pré-identificados".

"Já foi feita coleta de digitais e o exame papiloscópico. Falta apenas o IML conferir, para ver se não tem equívoco. Após a conferência, será liberada a lista, que atingirá o número de 90 identificados", afirmou Bahia.

Na véspera, ele havia explicado que "daqui para frente, tudo indica que provavelmente a identificação será via odontológica ou DNA".

Já foram coletadas amostras de DNA de mais de 200 pessoas de mais de 100 famílias para ajudar nos trabalhos de identificação das vítimas. A identificação visual e de digitais torna-se mais difícil com o passar dos dias.

Prefeito fala das dificuldades

Prefeito Brumadinho -- Foto: GloboNews/ Reprodução

Em entrevista coletiva na tarde de sexta, o prefeito de Brumadinho, Avimar Barcelos, falou sobre o sofrimento da cidade após a tragédia. "Não tem condições de atender [a população] com a arrecadação que a gente tem. A gente precisa muito do estado e do governo federal", afirmou.

"A responsabilidade que a Vale teria que ter era de não deixar isso acontecer com a cidade. Não existe isso de pagar vida, esses R$ 100 mil [em doações da Vale às vítimas] não são indenização, tem que deixar claro", disse o prefeito.

De acordo com ele, os R$ 80 milhões que serão pagos pela Vale ao longo de dois anos devem servir para compensar impostos que não serão arrecadados. "Daria uns R$ 4 milhões por mês", explicou Barcelos.

"Queremos que a Vale pague todos os funcionários do município. E que eles recebam sem trabalhar, com isso não vai atingir o nosso comércio", pediu. "A Vale é o segundo maior empregador do município. Se não pagar, nosso comércio vai falir."

O prefeito disse que, após o incidente em Mariana, ocorrido em novembro de 2015, pressionou a Vale para que o rompimento da barragem não ocorresse também Brumadinho. "Olha o que aconteceu em Mariana. Dizem que Mariana não recebeu praticamente nada, nem muito apoio. Até segunda ordem, parece que eles vão cumprir com a gente o que está sendo combinado", declarou.

Sobre os serviços da cidade, Barcelos comentou que não há falta de água em Brumadinho: "Tem água mineral de sobra na cidade. O nosso negócio agora é atender bem a população e as famílias das vítimas".

De acordo com ele, a expectativa é que as aulas sejam retomadas em 11 de fevereiro, depois que forem desobstruídas algumas ruas - há casos de vias com uma camada de lama que chega a mais de 4 metros de altura.

Vale anuncia ajuda financeira extra

Nesta sexta, o diretor-executivo de relações institucionais da Vale, Sergio Leite, afirmou que a empresa fará doações em dinheiro aos afetados pela tragédia.

  • R$ 50 mil para famílias que moram na chamada "zona de impacto".
  • R$ 15 mil para famílias que tiveram atividade rural ou comercial afetadas.

"Serão cumulativas e inclusive para pescadores atingidos", afirmou Leite.

Esses valores serão somados à doação emergencial de R$ 100 mil que a mineradora já havia anunciado que doaria a cada família com vítimas. Nesta quinta, a empresa começou a inscrever os nomes de quem vai receber. Não se trata de indenização.

As famílias devem ir a um dos postos de atendimento criados pela Vale - a Estação de Conhecimento e o Centro Comunitário de Feijão. É preciso apresentar documentos que comprovem o parentesco com a vítima.

Se a pessoa perdeu mais de um parente, a doação será por número de vítimas. Assim, a família que tiver perdido duas vítimas para a tragédia vai receber R$ 200 mil.

A inscrição é por ordem alfabética - leva-se em conta o primeiro nome da pessoa que morreu ou está desaparecida. Nesta quinta, foram credenciados os nomes que começam com as letras A e B.

A previsão é terminar as inscrições até terça-feira (5), mas não há um prazo final para comparecimento de quem perdeu um familiar na tragédia.

O pagamento vai ser feito de acordo com uma ordem preferencial:

  • Primeiro, ao responsável legal por filhos menores de idade;
  • Depois, marido, mulher ou pessoa que vivia em regime de união estável com a vítima;
  • Em seguida, filhos e netos;
  • Por último, mãe, pai e avós.

Ajuda de animais

As equipes que atuam na área atingida pela lama ganharam mais reforços. Nesta sexta, a cadela Toya, que ajudou a achar o corpo da turista Fabiana Fernandes em Arraial do Cabo (RJ), chegou a Brumadinho.

Cadela Toya, que achou o corpo da turista Fabiane Fernandes, morta no ano passado, chega para participar das buscas. Veio de Arraial do Cabo, onde aconteceu o crime -- Foto: Danilo Girundi/TV Globo

As buscas por animais perdidos e atolados também continuam. Até o momento, segundo o Corpo de Bombeiros, 90 animais foram resgatados vivos.

Quem avistar animais pode entrar em contato com os números (31) 99839-9932 e (31) 99414-8078. Os números são da empresa Bicho do Mato, contratada pela Vale para mapear e resgatar animais.

Testemunhas ouvidas

O delegado Wagner Pinto, chefe da Polícia Civil, disse no MG1 desta sexta que a corporação já ouviu oito pessoas para a investigação que apura a tragédia em Brumadinho.

Segundo o delegado, laudos de meio ambiente, do rompimento da barragem e documentos da mineradora Vale serão analisados na investigação.

A Policia Civil deve ouvir centenas de pessoas.

Veja também as 10 fake news do desastre de brumadinho.



Fonte: G1



Por olharcidade2@gmail.com 02/02/2019 09:10:00

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