Após divulgação de vídeo na internet, policia investiga agressão de terapeuta contra criança autista em Castanhal no Pará

Mãe e a vítima já prestaram depoimentos e representantes de entidades que cuidam dos direitos humanos se manifestaram contra comportamento da profissional e de sua acompanhante.

Em 24/05/2019 10:07:00 na sessão Cidades

Após um vídeo que mostra uma terapeuta ocupacional e a mãe dela agredindo um menino de dez anos com autismo circular nas redes sociais, a Polícia abriu inquérito para apurar o caso. Nesta quinta-feira (23), a mãe, responsável pela criança, e a própria vítima prestaram depoimentos e a Delegacia Especializada no Atendimento a Crianças e Adolescentes (DEACA) de Castanhal, no nordeste do Pará, onde o caso aconteceu, mantém as investigações em sigilo.

De acordo com a delegada Lidiane Pinheiro, o vídeo será usado nas investigações e o boletim de ocorrência registra as acusações de violência física, psicológica e de tortura contra o menino.

A criança foi atendida por uma assistente social, mas não passou por perícia médica por não apresentar sinais de lesão corporal.

Instituições criticam comportamento da terapeuta

Nesta quinta-feira, representantes do Conselho Tutelar tentaram ir ao local para fazer uma fiscalização, mas não conseguiram entrar. "Todas as formas de agressões essa criança sofreu. O Conselho de Saúde já disse que não houve pedido ao conselho de saúde para esse estabelecimento estar funcionando", conta a conselheira tutelar Rosiane Conceição.

Para Gisele Costa, representante da Comissão de Proteção aos Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Pará, é preciso que as mulheres paguem pela agressão que cometeram. "A comissão tem como judicializar e buscar meios para criminalizar as duas, a terapeuta quando a outra que estava com cinto na mão".

O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional informou que está coletando informações e que irá tomar as medidas cabíveis. Já a Prefeitura de Castanhal assegurou que a Clínica é particular e não possui parceria, convênio ou relações com a Secretaria Municipal de Saúde.

Como perceber que algo está errado?

Por telefone, a mãe da criança disse que o filho fazia tratamento no local há um ano e que ela confiava na eficácia do trabalho desenvolvido. No dia da agressão, ela não estava acompanhando a criança e a pessoa que levou o menino à clínica gravou e mostrou a ela as imagens que, depois, circularam nas redes sociais.

Karina Coelho, psicóloga, orienta que os pais estejam sempre atentos ao comportamento dos filhos para poder perceber qualquer alteração.

"O comportamento de todos nós tem de ter um equilíbrio. Quando ela está para mais ou para menos algo está ocorrendo. É da mesma forma com a criança atípica. Mesmo que ela não tenha uma maneira de se comunicar como a gente conduz que é a oralidade, ela tem sim uma maneira de se pronunciar. É muito importante que o responsável tem de conhecer a sua criança para perceber que algo pode estar acontecendo".

Delegada que investiga agressão contra criança autista em Castanhal se reune com promotores do MPPA. -- Foto: Divulgação / PC

Fonte: G1 Pará



Por Olhar Cidade 24/05/2019 10:07:00

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