Quadrilhas movimentaram R$ 600 mil com fraudes no Detran-MT, diz polícia

Grupo oferecia 'facilidades' em vistorias e até suspensão de multas em MT. Polícia identificou duas organizações criminosas lideradas por despachantes.

Em 11/11/2016 08:43:00 na sessão Estado

Foto: Reprodução/TVCA

As duas organizações criminosas identificadas pela Polícia Civil como atuantes dentro de unidades do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) movimentaram, em apenas um ano, cerca de R$ 600 mil, segundo o delegado Marcelo Martins Torhacs, da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Derrfva). As quadrilhas foram desmanteladas durante a operação "Hidra de Lerna", deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Civil.

Segundo a polícia, as duas organizações eram lideradas por despachantes, contavam com a participação de servidores públicos e seus membros também tinham tarefas bem definidas. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de prisão contra os suspeitos de participação nas quadrilhas. Além disso, a polícia ainda conduziu 18 pessoas suspeitas de terem se beneficiado do esquema que funcionava nas unidades do Detran em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, e em Nossa Senhora do Livramento, a 42 km da capital.

Conforme o delegado Marcelo Torhacs, as quadrilhas atuavam de forma a garantir a aprovação de veículos irregulares durante a vistoria obrigatória no Detran-MT, mediante pagamento de vantagem indevida, e também para conseguir agendamento prioritário aos clientes interessados. As quadrilhas também ofereciam o "serviço" de suspensão de multas de trânsito e pontos na carteira de habilitação, junto a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), da Prefeitura de Cuiabá.

De acordo com o delegado, o esquema funcionava da seguinte forma: a pessoa interessada em agendar o serviço de vistoria mais rápido ou para aprovar um veículo irregular procurava o despachante que, por sua vez, já tinha um contato dentro da 5ª Circunscrição Regional de Várzea Grande (Ciretran) e em Nossa Senhora do Livramento, onde era feitos os agendamentos prioritários e as vistorias irregulares.

O despachante eram que pagava o vistoriador para que os veículos fossem aprovados e cobrava, posteriormente, o cliente pelo serviço "VIP" recebido ou pela facilidade com que seu veículo era aprovado na vistoria.

"Num montante geral, isso dava um valor expressivo. Às vezes, a fraude individualmente  considerada pode não parecer muito, porque se trata de R$ 50, R$ 100. Porém, em um dia, são vistoriados mais de 20 veículos. Uma equipe nossa conseguiu flagrar, em apenas um dia, mais de 12 veículos irregulares. Fizemos estimativas com base no montante diários e chegamos ao valor de cerca de R$ 600 mil, que teria sido movimentado em apenas um ano", afirmou.

Os particulares que se beneficiaram dos "serviços" prestados podem responder por corrupção ativa, segundo a polícia, caso seja comprovado que eles ofereceram vantagens para algum servidor. Agora, se eles apenas atenderam a uma solicitação feita pelo servidor, é o servidor citado quem poderá responder pelo crime de corrupção passiva.

O delegado Marcelo Torhacs afirmou que novas fases da operação podem ser deflagradas e que novas prisões sejam feitas. "Nós identificamos duas células criminosas, mas como é uma questão que envolve dinheiro e facilidades, que é algo que chama a atenção, infelizmente, é possível que haja outras pessoas envolvidas, o que pode demandar mais esforços investigativos do Detran e da Polícia Civil", afirmou.



Por G1 MT 11/11/2016 08:43:00

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