Fazendeiro diz que sem-terras e servidores do Incra estão vendendo áreas invadidas em Novo Mundo

A denúncia é do produtor rural Rafael Klas Dal Bó, que perdeu suas terras em 2001, durante uma invasão

Em 13/03/2016 11:33:00 na sessão Cidades

Foto: Divulgação

Apesar de dizerem que lutam por um pedaço de terra na região de Novo Mundo (município distante 784 km de Cuiabá), os acampados na área estariam comercializando os trechos que conseguiram ocupar sem nunca ter plantado nada. A denúncia é do produtor rural Rafael Klas Dal Bó, que perdeu suas terras em 2001, durante uma invasão.  

"Dentro de minha propriedade criaram um assentamento pirata e hoje quem está lá são empresários e servidores do Incra", conta. 

Segundo Rafael, a propriedade “Fazenda Dal Bó” foi invadida por muitos grileiros, que já marcaram suas áreas e começaram a desmatar. A área de 3.667 hectares, tinha 82% do perímetro preservado em 2001, com projeto de manejo florestal sustentável. Atualmente, mais de 90% está desmatado. "Um verdadeiro cemitério de árvores", frisou.  

“Novo Mundo tem 3.333 lotes de reforma agrária. Esses lotes não são ocupados por clientes da reforma agrária. Esses lotes são ocupados por comerciantes, empresários e políticos, a quem a Comissão Pastoral da Terra não reclama esses lotes. Os assentamentos criados e áreas designadas para pastoral não tem um hectare plantado. Nunca plantaram nada”, disse o produtor. 

Recentemente o padre Paulo Cesar Moreira disse que as invasões existem porque o acampado precisa trabalhar, plantar arroz, feijão e verdura para sobreviver, porém os fazendeiros têm a lei a seu favor. Mas Rafael Dal Bó tem outra versão para essa história.

Segundo Rafael, a Pastoral da Terra colocou seus líderes na região para invadir terra de posseiros e, após conquistar a entrada, vendem a área. Quem é necessitado nunca ganha terra, porque pessoas já foram flagradas, inclusive em uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, vendendo terras invadidas. 

“A Pastoral já teve o senhor João Barbudo que foi flagrado vendendo lotes, outro foi o senhor Gilmar Nantes, e hoje tem o Antônio Bento, conhecido como Tonhaca, que patrocina desmatamento de uma propriedade rural que faz parte da Amazônia e incita invasão de terra todo dia. Existe um conluio de líderes de movimentos sociais, servidores do Incra e um advogado da União que sabe de todos esses absurdos de desmatamento, troca de tiros e queimação de barracos, mas continua advogando para os invasores. Os direitos foram de verdade invertidos”, conta o agricultor.  

“Existem vários mandados de reintegração de posse, porém todos barrados. O Incra estatizou o crime ambiental que empresários cometeram lá dentro da Dal Bó. Dentro de minha propriedade criaram um assentamento pirata e hoje quem está lá são empresários e servidores do Incra. Enquanto a fazenda era de minha propriedade nada tinha sido desmatado. Hoje está tudo desmatado, a floresta acabou e nada foi plantado. O que se vê lá é venda por cima de venda”, completou Rafael. 

A briga agrária na região não para por aí. Diversos documentos obtidos com exclusividade pelo HiperNotícias, mostram áreas invadidas que foram devastadas, mas a União ainda não indiciou ninguém por isso, muito menos afastou os servidores do Incra que são suspeitos de envolvimento com o esquema. 

Araúna

Entre os casos de invasão de terras está o registrado pelo fazendeiro Marcelo Bassan Júnior, proprietário da Fazenda Araúna. Em abril do ano passado sua terra foi invadida por vários homens armados, que afirmavam que estavam ali a mando do atual secretário de Agricultura do município. 

Conforme o boletim de ocorrência nº 2015.139650, Bassan acusou o secretário João Edemir Biazoto de agir em quadrilha e, inclusive, manter um terreno fruto de invasão da fazenda Araúna. 

Por telefone, a reportagem conseguiu contato com João Biazoto, que negou todo tipo de acusação e ainda frisou que é contra qualquer ato de violência. 

“Nunca fiz isso. Nunca mandei ninguém agir em meu nome e eu nem sabia desse registro de ocorrência. Isso pode gerar um processo contra esse Marcelo, principalmente por dizer que eu faço coisas em quadrilha. Sou contra qualquer ato criminoso”, se defendeu.



Por Olhar Cidade com Max Aguiar do Hiper Notícias 13/03/2016 11:33:00

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